As Flores do Herbalista Bach – Suas Cores, Sabores e Odores:

Por: Lucy Godoy

Em uma das palestras que fiz sobre as Flores de Bach, enquanto falava sobre “impatiens”, uma participante perguntou:

– “Que cheiro tem essa flor?”

Nesse momento me dei conta de que nunca havia me preocupado em saber sobre isso. Simplesmente respondi que não sabia. E me propus a procurar algo sobre o assunto, pois acreditei ser interessante para outros terapeutas também. Foi quando encontrei em Barcelona, numa livraria especializada, o livro “Cuaderno Botánico de Flores de Bach” de Jordi Cañellas, espanhol, biólogo especializado em Botânica e Ecologia, Naturopata, Geocromoterapeuta, Terapeuta Floral, que estava chegando às livrarias catalãs naquele momento (julho de 2008).

Assuntos como os códigos primário, secundário e terciário na analogia vegetal-humano são tratados pormenorizadamente. A assinatura de cada planta, como são suas raízes, seus caules, suas folhas, suas flores, seus pelos, seus ciclos temporais e biológicos, etc. etc., nos deixam cada vez mais interessados na leitura.

Fui premiada! Que livro! Uma verdadeira “enciclopédia floral.”

Levantei informações básicas sobre as cores, os odores e os sabores que as 38 flores escolhidas pelo Dr. Edward Bach, (“o herbalista Bach” como ele gostava de ser chamado, segundo sua biógrafa mais famosa, Nora Weeks) apresentam, sem nenhuma outra pretensão de levar essas curiosidades aos leitores e que me despertaram a vontade de querer, cada vez mais, estudar sobre elas.

Cañellas trata da “assinatura” das plantas, assunto que, já no século XVI, Paracelso (suíço, médico, alquimista, biólogo, astrólogo esotérico), falou com propriedade, afirmando que cada elemento do reino vegetal apresenta sinais particulares que o identificam e diferenciam dos demais congêneres, na imensa variedade da Natureza. A esses sinais Paracelso deu o nome de “assinatura” pois, como nos seres humanos, as individualiza e identifica como únicas dentre todas.

Ao estudar a assinatura das 38 flores de Bach, Jordi Cañellas destaca que “o aspecto físico e a forma de crescimento ou assinatura da planta pode ser associada, por analogia, a facetas em desequilíbrio da personalidade humana; em compensação, a flor corresponde às virtudes opostas e assim, sua essência energética, por ressonância, compensará nossa expressão anímica em desequilíbrio”.

Decidi então que, como o livro ainda não chegou às livrarias brasileiras até esta data (janeiro de 2009), essas informações não poderiam ficar somente “além dos mares”. Escrevi este artigo embasada nas informações que Cañellas nos dá em seu livro e se quiserem entrar em contato com ele isso poderá ser feito através do site www.eljardidelesessencies.com

O autor, fazendo uma analogia entre o vegetal estudado e o ser humano, leva o Terapeuta Floral de Bach a abrir os horizontes do conhecimento e observar que:

A raiz da planta é comparada ao inconsciente humano;

O caule é comparado à nossa personalidade, como somos, nosso ser egóico;

As folhas são comparadas à nossa relação com nosso entorno, nos níveis, físicos, energéticos, emocionais, mentais, e espirituais;

As flores representam o que idealizamos, nossa criatividade e nossa possibilidade de gerar sementes nos níveis físicos, energéticos, emocionais, mentais e espirituais;

Os frutos representam o que materializamos, isto é, o resultado dos quatro ítens anteriores, nos níveis físicos, energéticos, emocionais, mentais e espirituais.

As cores, os odores e os sabores das Flores do herbalista Bach, estudadas por Jordi Cañellas:

As informações abaixo devem ser vistas como parte importante do estudo dos Terapeutas Florais de Bach, pois como diz o autor “cada espécie deve ser estudada como um conjunto indivisível que, como na espécie humana, é um todo complexo”.

Cores:

São variadas as cores e os tons das flores que Dr. Bach escolheu para criar sua nova forma de curar. Cada uma delas apresenta vibrações específicas que servirão para fortalecer a virtude a ser trabalhada. Se observarmos as flores de rock rose, por exemplo, veremos que sua cor amarela é muito forte, apresentando um grau vibracional único, parecendo uma luz dourada explodindo da pequenina planta, como se quisesse clarear a alma dos que dela precisam, espantando para bem longe o pavor que a domina.

Segundo Cañellas “a criatividade reprodutiva se manifesta por meio de flores masculinas, femininas ou hermafroditas (têm ambos os sexos).

Vamos encontrar nas Flores do Dr. Bach essas características de variabilidade.

São amarelas, nos mais variados tons: agrimony, gorse, mustard, rock rose, mimulus (com pintinhas vermelhas) e vine (misturada com um tom esverdeado),

E também são amarelas as flores masculinas de beech, larch, pine, willow, hornbeam.

São vermelhas, nos mais variados tons: elm, honeysuckle (com branco)

E também são vermelhas as flores femininas de beech, larch, oak, pine.

São cor de rosa, nos mais variados tons: centaury, heather, red chestnut, wild rose.

São azuis, nos mais variados tons: cerato, chicory, vervain.

É cinza a cor das flores de aspen – a flor masculina com anteras vermelhas e que na floração se tingem de amarelo por causa do pólen e as flores femininas, menores, com um tom esverdeado e quatro estigmas vermelhos.

São esverdeadas as flores de scleranthus

E também são esverdeadas as flores femininas de hornbeam, sweet chesnut, walnut e willow.

E também são esverdeadas as flores masculinas de walnut e oak (com tons amarelados).

São brancas as flores de cherry plum e white chestnut.

E também são brancas com misturas de cores variadas as flores de clematis (esverdeado e creme), crab apple (branco por dentro, rosa por fora), olive (branco cremoso), star of Bethlehem (branco por dentro e listrada em verde por fora) wild rose (pode ser rosa também).

São também brancas as flores femininas e masculinas de holly.

São púrpura/violeta as flores de gentian e vervain.

São malva pálido ou rosa pálido as flores de water violet e impatiens.

Sabores:

Das 38 flores do Dr. Bach algumas não apresentam nenhum sabor, mas existe entre elas um misto de sabores que vai desde o adocicado até o ácido.

Adocicado:

Agrimony – apresenta folhas amargas e flores adocicadas pelo néctar que existe no esporão.

Honeysuckle – apresenta flores de sabor doce.

Sweet chestnut – apresenta uma castanha de sabor doce e seu caule é amargo.

Water violet – apresenta sabor doce nas folhas muito parecido ao das nozes.

White chestnut – apresenta folhas e castanhas com sabor amargo.

Wild oat – a única gramínea do sistema apresenta sabor doce muito suave.

Amargo:

Beech- apresenta sementes e frutos (ayucos) muito amargos.

Centaury- apresenta folhas intensamente amargas e picantes.

Cerato- apresenta raiz com sabor amargo.

Chicory- apresenta um sabor intensamente amargo.

Crab apple- apresenta sabor amargo e ácido das pequenas maçãs.

Heather- supõe-se que é amargo porque seu rizoma contém muito tanino.

Impatiens – apresenta folhas com sabor amargo, não muito forte mas as flores são doces por causa do néctar que se concentra no esporão.

Larch- apresenta sabor muito amargo.

Oak- suas bolotas e folhas apresentam sabor amargo.

Olive – suas folhas e azeitonas são amargas.

Rock rose – suas folhas são ligeiramente amargas.

Vervain – apresenta folhas com sabor intensamente amargo.

Willow – apresenta sabor amargo.

Elm – apresenta folhas com sabor amargo suave.

Mimulus- apresenta sabor suave parecido com o gosto da alface.

Gentian- apresenta em todas suas partes, especialmente nas raízes (rizomas) um sabor amargo intenso.

Hornbeam – apresenta sabor amargo intenso em suas folhas.

Gorse – apresenta sabor ligeiramente amargo em seus espinhos.

Picante:

Clematis – apresenta sabor picante nas folhas e no caule, moderadamente tóxico.

Mustard – apresenta sabor picante e de “suas irmãs se faz a mostarda”, nas palavras de Cañellas.

Ácido:

Wild rose – apresenta sabor ácido nos frutos (escaramujos), devido ao alto teor de Vitamina C.

Cherry plum – apresenta folhas de sabor ácido suave e a semente do fruto é amarga pelo seu conteúdo de ácido cianídrico.

Odores:

A maioria das flores do Dr. Bach não é aromática, embora algumas delas possam espargir um perfume suave.

Clematis – apresenta flores muito aromáticas, cheirosas, sem definição do odor.

Gorse – exala aroma intenso que lembra o côco e a baunilha.

Holly- apresenta flores cheirosas de aroma doce.

Honeysuckle – durante o dia não exala odor, mas à noite exala aroma doce, forte e intenso.

Olive – exala odor intenso e doce na floração.

Pine – exala odor intenso e balsâmico.

Star of Bethlehem – apresenta bulbo (raiz) com cheiro acre.

White chestnut – apresenta flores com aroma de mel.

Wild rose – apresenta perfume de rosas, doce, intenso, embriagador.

Florescência:

Fiquei admirada ao tomar conhecimento da duração da vida das flores na rama. Soube que algumas duram um só dia, outras um pouco mais e me dei conta do trabalho do nosso querido Dr. Bach para colhê-las em plena floração, na hora exata e no tempo certo. Cada vez mais admiro esse homem que fez de sua vida a vida dos sofredores.

Cañellas nos ensina:

Agrimony – dura três dias.

Cerato, Chicory e Rock rose – duram um só dia.

Star of Bethlehem – dura de dois a três dias e só abre quando o sol brilha.

Centaury – só abre em dias claros.

Aí está uma pequena parcela do que é esse Universo Floral com o qual, nós, Terapeutas Florais trabalhamos. Cada vez mais me dou conta do quanto temos que aprender para poder chegar mais perto de Edward Bach, médico, patologista, bacteriologista, humanista, homeopata, que nos anos 30 acreditava que “temos que tratar o doente e não a doença”. Deu sua vida por isso, trabalhando incessantemente na descoberta das 38 flores que curam os males da alma e da mente.

Cañellas, Jordi, Cuaderno Botánico de Flores de Bach – Una guía científica para ver las plantas a partir de su signatura. – Prólogo del doctor Ricardo Orozco – Editora Integral, Barcelona, España, 1ª edición, 2008.

WEEKS, Nora, As descobertas médicas de Edward Bach Médico, O que as flores fazem ao corpo humano, Tradução Silvia Branco Sarzana, Revisão Carmen Monari, Instituto Dr.Edward Bach, Campinas, São Paulo, Brasil.,1998-1a edição em Português.

Rizoma: caule subterrâneo que pode lançar caules e raízes

Lucy Godoy é professora de educação física, pedagoga, com especialização em sexualidade humana. Terapeuta floral desde 2006. Fez curso no Instituto Internacional de Shiatsu, de Flores de Bach com Enric Homedes, reconhecido por SEDIBAC – Sociedad para el estudio y difusión de la terapia del DR. Bach de Cataluña, em Barcelona.

Pin It on Pinterest

Share This