Fonte: Alessandro Zamboti

3.2 Material empregado

O material mais empregado no Brasil são as esferas de metal ou cristal e as sementes de mostarda ou de colza pela facilidade e rapidez de aplicação, baixo custo e permanência no acuponto de longa duração atuando terapeuticamente. A direção que as sementes devem ficar está demonstrada na figura 1 e é baseada no sentido que os principais nervos se encontram para melhor estímulo terapêutico. As agulhas filiformes é o método mais antigo e tem a vantagem de atuar de forma mais contundente na patologia e poder estimular o órgão ou região anatômica alvo de modo a tonificar ou sedar, respectivamente aplicação leve para enfermidades com deficiências ou enfermidades do tipo crônico e tem um efeito considerado tonificante e, aplicação forte para patologias do tipo agudo ou em síndromes por excesso, estagnação e enfermidades dolorosas, esta aplicação é considerada de efeito dispersante (GARCIA, 1999, p. 225). Há também as agulhas intradérmicas do tipo akabane de uso contínuo que são fixadas com esparadrapo permanecendo vários dias.

Outros métodos de estimulação dos acupontos auriculares são: mesopuntura (injeção de medicamentos nos acupontos), emplastros de medicamentos, parches medicamentosos, moxabustão, sangria, injeção de radioisótopos, imãs, massagens geral ou específica e laser. Citar cada método detalhadamente e seus objetivos principais ficaria muito extenso e fugiria do propósito original do artigo, mas a laserpuntura merece um destaque porque se comprovou um método forte para estimular o metabolismo, para alcançar a desobstrução e a drenagem adequada dos canais e vasos e para regular a circulação de sangue e da energia. Também trata processos inflamatórios, promove a atividade das glândulas supra-renais e o metabolismo protéico (GARCIA, 1999, P. 255) de modo que pode ser útil ao tratamento da obesidade e suas manifestações.

4- Auriculoterapia no tratamento da obesidade

Muitos autores citam pontos gerais recomendados para a obesidade e não há muito consenso como se pode visualizar na tabela 2. Asamoto e Takeshige (1992) estudaram o efeito da acupuntura sobre o apetite. Observaram que a implantação de agulhas nos acupontos auriculares correspondentes ao piloro, pulmão, traquéia, estômago, esôfago, sistema endócrino e coração reduziu o ganho de peso em ratos obesos. Segundo estes autores, isso poderia ocorrer pelo efeito da acupuntura exercido sobre o núcleo ventro-medial, pois a estimulação de regiões específicas do pavilhão auricular de ratos (aurículo-acupuntura) é capaz de evocar potenciais no núcleo hipotalâmico ventro-medial, o centro da saciedade. Farber et al. (1996) avaliaram a utilização da acupuntura auricular como tratamento da obesidade em pacientes humanos. O estímulo dos acupontos auriculares Shen Men, estômago, cárdia, subcórtex (interno) levou à diminuição significativa do peso nas pessoas tratadas, com grandes variações individuais. Estes autores concluem que a acupuntura é moderadamente eficaz como auxiliar no tratamento da obesidade. Gonzaléz e López (2009) Em um estudo longitudinal, prospectivo e descritivo foram estudados 158 pacientes para demonstrar o efeito da auriculoterapia para reduzir as taxas de obesidade. Os pacientes foram classificados de acordo com índice de massa corporal circunferência da cintura e o tempo de evolução como obeso. A primeira consulta coleta informações médicas e aplicou-se tratamento semanal de acompanhamento. 13,93% dos pacientes retornaram ao índice de massa corporal (IMC) de 25 kgm 2. O circunferência abdominal sofreu uma redução superior a 80 centímetros em um 12.16% dos pacientes e outros tiveram uma diminução significativa com relação aos números listados no início do tratamento. Os resultados positivos foram de ordem de 93.04%.

Nenhum desses estudos ou bibliografias citados na tabela 2 fazem uma diferenciação dos tipos de obesidade segundo a MTC, provavelmente a falta de consenso sobre a classificação de obesidade advem dela ser um problema de saúde mundial relativamente moderno. Porém há autores que acham esta diferenciação importante a ponto de variar bastante a terapeutica para cada caso, nesse caso podemos citar Zamboti (2010) que recomenda como pontos obrigatórios para o tratamento da obesidade: shen men, rim, simpático, fome, vício, estômago. De modo específico ele recomenda:

Como problema hormonal: endócrino, supra-renal, hipófise, tálamo.

Como problema fisiológico: boca, estômago, intestino grosso, fígado, fome, Baço.

Como problema emocional: olho, lóbulo anterior, coração, área de neurastenia, ansiedade, vício.

Do mesmo autor pontos complementares:

Ansiedade / irritabilidade: ansiedade 1 e 2, tensão, coração fígado yang 1 e 2.

Constipação intestinal: (2X ao dia) acrescentar intestino grosso; (3X na semana) acrescentar intestino grosso, vesícula biliar e ânus.

Retenção de líquidos: acrescentar adrenal, metabolismo.

Desequilíbrio hormonal: acrescentar ovários, endócrino, tireóide, hipófise.

Compulsão por doces: acrescentar pâncreas, boca.

Tabela 2 – Pontos auriculares eleitos (x) e complementares (c) para obesidade segundo autores de livros e artigos científicos:

Shen menRimFomeSimpát.OccipitalBocaIDDuodeno
Souzaxxxxxxxx
Garcia c c
Asamotox
Faberx
Gonzálezx x xx

TálamoExcitaçãoAbdômenEndócrinoBaçoTireóideCalorEstômago
Souza c
Garciaxxxxcccc
Asamoto x x
Faber x
González x

ApetiteFígadoSubcort. I.CárdiaPiloroPulmãoTraquéiaCoraçãoIG
Souzac
Garcia c
Asamoto xxxxxx
Faber xx
González x
AnsiedadeP. zero
Souza
Garcia
Asamoto
Faber
Gonzálezxx

Segundo Ernest (1997), a acupuntura e a auriculoterapia são freqüentemente defendidos e usados como meio de controlar o apetite e reduzir o peso corpóreo mas essa utilização é baseada em estudos não controlados. O mesmo autor afirma também que os poucos ensaios clínicos controlados com placebo apresentam falhas metodológicas e seus resultados são contraditórios e que dois ensaios clínicos mais rigorosos demonstram ausência de efeito sobre o peso corpóreo. As principais falhas observadas foram:

– Número de estudos conduzidos: insuficiente.

– Qualidade dos estudos conduzidos: pobre, mal conduzidos, não controlados, resultados contraditórios.

Grau de validação independente: não realizada. –

– Potencial de uso no tratamento da obesidade: muito baixo.

– Potencial de risco de iatrogenia: desconhecido.

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